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Embaixada dos EUA em Copenhaga irrita veteranos dinamarqueses ao retirar bandeiras em homenagem aos soldados mortos no Afeganistão

Dinamarqueses colocaram bandeiras da Dinamarca em frente à embaixada dos EUA em Copenhaga, na quarta-feira, em resposta aos comentários do presidentedos EUA, Donald Trump, de que os soldados da NATO no Afeganistão “ficaram um pouco para trás, um pouco longe da linha da frente”. Emil Nicolai Helms/Ritzau Scanpix/AFP/Getty Images

A embaixada dos EUA em Copenhaga irritou os veteranos dinamarqueses ao retirar bandeiras em homenagem aos soldados mortos no Afeganistão de uma zona exterior do edifício.

Um vídeo partilhado pela estação dinamarquesa TV2 mostrou um segurança a retirar as bandeiras plantadas em vasos localizados em frente à embaixada. Eram 44 bandeiras, em homenagem aos 44 soldados dinamarqueses mortos no conflito.

A Associação de Veteranos Dinamarqueses criticou a ação como “desnecessária e insensível”. Carsten Rasmussen, presidente nacional da associação, disse compreender a reação de indignação, mas pediu uma resposta ponderada. “Quando eles descem ao nível mais baixo, nós elevamo-nos — e respondemos com calma, dignidade e consideração.”

Um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA explicou à CNN que a exposição das bandeiras não foi coordenada com o pessoal da embaixada dos EUA em Copenhaga e que a embaixada desconhecia o significado das bandeiras.

Embora a exposição das bandeiras não seja proibida, “regra geral” objetos destes, como bandeiras, faixas e cartazes, são frequentemente removidos pela equipa de segurança no final do turno, acrescentou o porta-voz.

“Entretanto foram colocadas outras bandeiras que continuam no local e permanecerão lá”, completou o porta-voz.

Um porta-voz da embaixada dos EUA em Copenhaga disse à estação dinamarquesa TV 2 que “não houve qualquer intenção maliciosa na remoção das bandeiras”. O responsável acrescentou que a embaixada tem o mais profundo respeito pelos veteranos dinamarqueses e por todos aqueles que contribuíram para a segurança nacional, noticiou a TV2.

Em resposta, os dinamarqueses colocaram centenas de outras bandeiras em frente à embaixada norte-americana, de acordo com um vídeo partilhado pela TV2.

Na quarta-feira foram expostas novas bandeiras dinamarquesas em frente à embaixada dos EUA em Copenhaga, depois de os funcionários terem removido as bandeiras na tarde de terça-feira. Martin Sylvest Andersen/Getty Images

A mais recente disputa diplomática entre as duas nações ocorreu depois de o presidente Donald Trump ter irritado os aliados da NATO no passado fim de semana, quando afirmou, sem provas, que as tropas da aliança “ficaram um pouco afastadas” das linhas da frente no Afeganistão.

No domingo, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, escreveu nas redes sociais  que os comentários de Trump eram “intoleráveis”, acrescentando que a Dinamarca sofreu uma das maiores perdas per capita em comparação com os aliados da NATO.

A relação entre Copenhaga e Washington azedou nas últimas semanas depois de Trump ter renovado as suas exigências de anexação da Gronelândia, o vasto território autónomo do Ártico governado pela Dinamarca.

As tensões atingiram o auge no último fim de semana, quando Trump ameaçou impor tarifas às nações europeias. O presidente norte-americano retirou a ameaça depois de anunciar que tinha chegado a um princípio de acordo sobre o futuro da ilha após uma reunião com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte.

Os detalhes do acordo ainda não foram revelados, mas a postura hostil e a imprevisibilidade de Trump abalaram a Dinamarca, a Gronelândia e os seus aliados europeus.

 

Kim Norgaard, da CNN, contribuiu para esta reportagem.

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