“No último ano, os EUA deixaram de ser o porto de abrigo”

O mundo – e o sistema financeiro – mudaram muito no último ano e meio à custa das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump, não só pelo seu aumento – que, ainda assim, foi inferior ao esperado – mas pelas isenções que também foram aparecendo, destaca o economista Ricardo Reis.
O resultado foi menos benéfico do que a administração Trump esperava porque os investidores perderam confiança nos EUA. “No último ano, os EUA deixaram de ser o porto de abrigo”.
Mesmo assim, o dólar desvalorizou menos do que o que se estimava e, para o economista, foi por causa dos investimentos massivos que estão a ser feitos pelas empresas norte-americanas em Inteligência Artificial (IA).
Por isso, diz que a Europa – e, claro, Portugal – tem de se preparar para investir muito em IA para conseguir apanhar o comboio dos EUA.
Esta foi uma das conclusões da conferência de celebração dos 150 anos da Caixa Geral de Depósitos (CGD), um encontro que, além do presidente da comissão executiva do banco público, Paulo Moita de Macedo e do presidente do conselho de administração da CGD, António Farinha Morais, contou com a presença do primeiro-ministro Luís Montenegro; da diretora-geral e do professor de estratégia da AESE Business School, respetivamente Fátima Carioca e Bruno Proença.
Contou ainda com João Bento, presidente executivo dos CTT; Raul Moreira, diretor emérito dos CTT; o escritor Gonçalo M. Tavares, e o escritor e historiador José Pacheco Pereira.
Estas são outras das principais conclusões.
Os desafios do sistema financeiro
- Ricardo Reis nota que, tendo em conta a nova realidade financeira que existe e os investimentos que estão a ser feitos em IA, “a banca vai ter um papel muito importante” nos próximos anos.
- Mas não é só na IA, é também na habitação – “o grande problema nacional” – diz ainda Ricardo Reis, e no apoio às empresas, como menciona Luís Montenegro. Para o primeiro-ministro, o banco público tem um papel de incentivador: “Se a Caixa estiver proativa arrastará os seus concorrentes”.
- O banco público celebra hoje, precisamente a 10 de abril, 150 anos de vida, mas tal como António Farinha Morais refere, nem sempre correu tudo bem. O presidente do conselho de administração fala da restruturação que a Caixa levou a cabo entre 2017 e 2020, já com a atual administração, liderada por Paulo Macedo.
- Uma reestruturação que foi, inclusive, estudada na AESE e apresentada esta manhã como caso de sucesso. “Extraordinário”, comenta mesmo Fátima Carioca.
- Bruno Proença destaca que, em 2017, a Caixa estava com “seis anos consecutivos de prejuízos” e a “falhar as metas da DGCOMP” – a Direção Geral da Concorrência da Comissão Europeia. E que, por isso, teve de definir metas exigentes e de tomar decisões delicadas, como a de redução do número de balcões e de colaboradores.
- O processo foi, contudo, um caso de sucesso, como já referido. E António Farinha Morais lembra isso, ao falar do resultado histórico de 1.900 milhões de euros atingido em 2025.
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