Roland-Garros: Nuno Borges chega a Paris com ambição e confiança

Roland Garros – O tenista português, Nuno Borges, regressa a Roland-Garros convicto de que o melhor ténis da sua carreira pode traduzir-se em resultados de maior dimensão. O número um português acredita estar “cada vez mais preparado” para competir ao mais alto nível e enfrentar momentos decisivos em torneios grandes. Antes da estreia frente ao argentino Tomás Martín Etcheverry, o tenista português garante sentir-se fisicamente forte, competitivo e pronto para “fazer um jogo bastante interessante” em Paris.
Publicado a: 23/05/2026 – 15:49Modificado a: 23/05/2026 – 15:51
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A poucos dias da estreia em Roland-Garros, Nuno Borges transmite uma sensação rara no ténis de alto nível: tranquilidade. O tenista português, actual 50.º do ranking ATP, chega a Paris consciente de que os resultados recentes podem não impressionar, mas convencido de que o seu nível competitivo está mais alto do que nunca.
“Sinto-me bem. Sinto que estou a jogar muito bem”, afirmou o português, sublinhando a importância da estabilidade física numa temporada longa e exigente. “O meu corpo, felizmente, tem estado bom de saúde, o que me tem ajudado também a manter esta forma.”
Apesar de reconhecer que os resultados “não têm sido incríveis”, Nuno Borges rejeita leituras menos positivas sobre esta temporada. “Se calhar estão um bocadinho aquém daquilo que eu sinceramente gostava, obviamente, mas não tem sido assim tão mau”, explicou. O português considera que o contexto competitivo também pesou no seu percurso recente: “Os jogos são sempre complicados. Se calhar não tenho tido os quadros mais fáceis.”
Ainda assim, mantém intacta a convicção de que os resultados acabarão por surgir. “Se continuar a manter o meu nível e jogar assim, as oportunidades hão-de aparecer”, disse, estabelecendo uma comparação com a temporada de há dois anos. “Na altura estava a jogar menos do que agora. Sinto-me cada vez mais preparado para chegar mais longe e conseguir manter o meu nível mais alto.”
A ambição do tenista maiato passa agora por transformar qualidade exibicional em eficácia competitiva. “Agora é saber concretizar nos momentos decisivos dos jogos”, resumiu.
Na primeira ronda do torneio parisiense, Nuno Borges terá pela frente o argentino Tomás Martín Etcheverry, 25.º do ranking mundial e adversário que já derrotou esta temporada, no ATP 500 de Barcelona. Um duelo que o português antevê equilibrado e fisicamente exigente.
“Vai ser um jogo duro. Os meus outros jogos com ele este ano também foram duros. À melhor de cinco sets vai ser mais ainda”, admitiu. Nuno Borges acredita mesmo que o argentino chegará particularmente motivado ao encontro. “Acho que ele vai ter umas ganas extras por causa do desfecho do outro jogo. Eu sei que ele não gostou.”
Sem dramatizar o contexto, o português garante que vai manter a sua identidade competitiva. “Vou fazer a minha cena como normalmente faço e tentar conseguir uma vitória.”
Sobre o perfil de Etcheverry, Nuno Borges traça um retrato quase clínico: um jogador sem exuberâncias técnicas, mas extremamente sólido. “É um jogador que singra por ser muito regular e muito constante”, analisou. “Não faz pancadas muito rebuscadas, não inventa muito, mas está sempre lá.”
O português destaca sobretudo a consistência física e táctica do argentino. “É muito bom fisicamente, sólido dos dois lados, serve bem. É um jogador completo e os resultados dele mostram isso.”
A estratégia passa por recuperar referências dos confrontos anteriores, mas sem abdicar do seu ADN ofensivo. “Vou tentar trazer algumas referências dos jogos deste ano, mas acima de tudo focado no meu jogo e na minha agressividade.”
A preparação para Roland-Garros incluiu uma gestão física, com ausência em alguns torneios nas últimas semanas. Nuno Borges garante, porém, que a decisão foi estratégica e não motivada por problemas físicos.
“Não foi por questões físicas”, esclareceu. “Foi mesmo numa perspectiva de atacar o resto do ano. Não posso estar só a pensar aqui.” O português acredita que a gestão de calendário pode fazer diferença numa temporada longa. “Às vezes menos é mais.”
Mesmo sem muitos jogos consecutivos nas últimas semanas, sente-se suficientemente competitivo. “Tenho jogado muitos pontos no treino. Claro que não é a mesma coisa, mas acho que não estou pouco rodado.” A confiança mantém-se intacta. “Sinto que posso fazer um jogo bastante interessante.”




