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Jean Sinisterra: «A Colômbia pode surpreender neste Mundial»

A terceira jornada da fase de grupos do Campeonato do Mundo de futebol masculino arrancou na quarta-feira 24 de Junho nos Estados Unidos, no México e no Canadá. Na segunda jornada, as três selecções lusófonas alcançaram resultados positivos: Portugal e Brasil venceram, enquanto Cabo Verde empatou diante do Uruguai.

Os Grupos A, B e C ficaram encerrados na quarta-feira, 24 de Junho, e a única selecção lusófona a actuar num desses grupos, o Brasil, alcançou o apuramento para os dezasseis-avos-de-final.

Na terceira e derradeira jornada do Grupo C, o Brasil venceu por 3-0 a Escócia em Miami, nos Estados Unidos. Os tentos foram apontados por Vinícius Júnior, que bisou, e por Matheus Cunha.

Segundo triunfo em três jogos, isto após a vitória por 3-0 diante do Haiti e o empate a uma bola frente a Marrocos.

O Brasil terminou no primeiro lugar com sete pontos e uma melhor diferença de golos do que Marrocos (+6 contra +3), sendo que a selecção marroquina também terminou com sete pontos. Os marroquinos acabaram por triunfar por 4-2 diante do Haiti em Atlanta, nos Estados Unidos.

Brasil e Marrocos seguem em frente na prova, enquanto a Escócia, terceira com três pontos, deverá esperar pelos outros grupos para ter a certeza se continua no Mundial ou se fica eliminada. O Haiti, quarto e sem nenhum ponto, ficou eliminado da prova.

Vinícius Júnior, avançado brasileiro. © REUTERS – Marco Bello

Cabo Verde e Portugal procuram apuramento

Na segunda jornada, no Grupo H, a Espanha venceu por 4-0 a Arábia Saudita, em Atlanta, nos Estados Unidos, e lidera agora a classificação com quatro pontos.

A Espanha tem quatro pontos, mais dois do que Cabo Verde e o Uruguai, e mais três do que a Arábia Saudita.

No outro encontro do agrupamento, o Uruguai e Cabo Verde empataram a duas bolas em Miami, nos Estados Unidos.

Na terceira e derradeira jornada, os cabo-verdianos vão medir forças com os sauditas, enquanto os espanhóis vão defrontar os uruguaios.

Ainda na segunda jornada, no grupo K, Portugal venceu por 5-0 o Uzbequistão, em Houston, nos Estados Unidos, e ocupa o segundo lugar na classificação com quatro pontos.

A Colômbia lidera com seis pontos, mais dois do que Portugal, isto após o triunfo da selecção colombiana por 1-0 diante da República Democrática do Congo. A RDC está na terceira posição com um ponto, enquanto os uzbeques estão no ultimo lugar sem nenhum ponto.

Na terceira e derradeira jornada, os portugueses vão medir forças com os colombianos, enquanto os congoleses vão defrontar os uzbeques.

Cristiano Ronaldo, capitão da Selecção Portuguesa. © AP Photo/Ashley Landis

A RFI falou com Jean Sinisterra, médio colombiano, que já vestiu as camisolas do América de Cali na Colômbia, e do Hapoel Ramat Gan em Israel, bem como do Marinhense, do São João de Ver, do Anadia e da Académica de Coimbra em Portugal.

Em entrevista exclusiva à RFI, Jean Sinisterra, futebolista de 26 anos, que não está presente no Mundial, abordou as expectativas que tem em relação à Colômbia e também acredita que a selecção portuguesa vai dar tudo para levar Cristiano Ronaldo ao título mundial.

A RFI também aproveitou a oportunidade para abordar outros temas com Jean Sinisterra, médio colombiano que actuou na Académica de Coimbra, no terceiro escalão em Portugal, na segunda parte da temporada 2025/2026.

Ao microfone da RFI, Jean Sinisterra revelou-nos como surgiu a paixão pelo futebol e fez o balanço desta temporada em que acabou por subir para a segunda divisão de Portugal com a Académica.

RFI: Quais são as expectativas para a Colômbia?

Jean Sinisterra: A expectativa é sempre chegar o mais longe possível. Então, acho que vamos surpreender neste Mundial. Vamos dar uma boa imagem.

Até aonde pode chegar esta selecção colombiana?

Acho que vai ser quartos ou oitavos.

Como vê, justamente o grupo em que está a Colômbia, Portugal, República Democrática do Congo e Uzbequistão?

Tendo em conta que é um Mundial em que todos os jogadores se querem mostrar, destacar, eu diria que temos que ser realistas a nível de jogadores. Na actualidade, acho que Portugal é uma das potências mundiais do futebol. Portanto, vai ser Portugal e Colômbia. Os favoritos são Portugal e Colômbia. E também acho que vai ser tipo aqueles dois classificados nesse grupo.

Qual seria o melhor cenário para a Colômbia: vencer os dois primeiros jogos e depois no último jogo entre Portugal e Colômbia, já estarem os dois apurados?

O melhor cenário seria os dois apurarem-se. Eu acho que vai ser Portugal e Colômbia.

Nesse confronto entre Portugal e Colômbia, o que é que pode fazer a diferença?

Vamos ter que estar juntos, tipo uma família, como estamos habituados já na nossa selecção. Vamos estar todos agarrados às mãos, porque Portugal é uma selecção muito forte, com jogadores muito fortes também. Mas eu acho que podemos ganhar contra Portugal.

Há alguma super estrela neste momento na selecção colombiana?

Eu acho que temos estrelas. Não uma, mas várias. Na selecção colombiana, agora, temos Luis Díaz, que esteve quase para chegar à final da Champions League, e temos Daniel Muñoz, que venceu a Liga Conferência (ndr: com a equipa do Crystal Palace).

E Luis Suárez, jogador do Sporting Clube de Portugal?

Para mim, Luis Suárez é muito bom, mas a nível tipo de ‘estrelas’, temos Luis Díaz e Daniel Muñoz, até pelas Ligas e pela competitividade que têm nos países onde jogam (ndr: Luis Díaz no Bayern Munique na Alemanha e Daniel Muñoz no Crystal Palace na Inglaterra). Portugal tem uma liga muito forte, mas acho que a Liga inglesa é muito mais forte e não é fácil fazer o que fez Daniel Muñoz, que, para mim, é o melhor lateral direito, ou pelo menos entre os três melhores do mundo.

Em relação a Portugal. A selecção portuguesa conta com Cristiano Ronaldo, que tem 41 anos. O que é que representa para si o capitão luso?

Muitos dos jogadores que estão na selecção amam Cristiano Ronaldo, e cresceram a olhar para Cristiano Ronaldo. Portanto, vai ser uma motivação extra para a Colômbia, para os nossos jogadores, porque eles vão querer dar tudo para que Cristiano não marque. Acho que vai ser um factor importante a ter em conta, porque muitos, de nós, colombianos admiram muito Cristiano Ronaldo. A selecção colombiana vai querer dar o melhor para que um dos melhores do mundo não possa fazer, como sempre, golos.

O facto de ser, talvez, o último Mundial de Cristiano Ronaldo, acha que isso pode influenciar os colegas de equipa?  

Eu acho que vai ser tipo como fez a Argentina no último Mundial. Os jogadores vão querer que uma referência deles acabe sendo uma estrela. Acho que vai ser uma motivação super super extra para a selecção portuguesa, porque também tem um líder e, tendo em conta a idade que tem, ele vai querer dar tudo, tudo, tudo mesmo. Acho que também é um ponto a favor para Portugal, porque tem jogadores muito novos e eles adoram Ronaldo, então vão querer ajudá-lo a conseguir aquele troféu tão importante para o país e para ele.

Quais são os outros favoritos deste Mundial para si?

França e Países Baixos.

Porquê os Países Baixos?

Porque os Países Baixos sempre fazem boas competições e têm também grandes jogadores. Eu acho que, depois da França e de Portugal, os Países Baixos são a melhor selecção. É uma selecção que tem muita garra e muita qualidade.

Jean Sinisterra sobre o Mundial 19-06-2026

Jean Sinisterra, médio colombiano. © Cortesia Jean Sinisterra

Como surgiu a paixão pelo futebol?

Antes de gostar de futebol, eu gostava de música. Eu gostava da guitarra, tudo isso. Eu nasci com esse espírito. Mas eu sou uma pessoa de bairro humilde, então sempre havia miúdos a jogar à bola, mas eu não achava piada. Mas uma vez recebi um convite para completar a equipa do bairro. A verdade é que passaram horas, nós a correr, a jogar e depois apaixonei-me pelo futebol, pela forma com que a situação era mais leve, porque havia muitas favelas. Mas conseguias esquecer tudo mediante uma bola e conseguias partilhar momentos com muitas pessoas graças ao futebol.

E depois como acaba por ir para Portugal?

O sonho de todos nós na América do Sul é jogar na Europa, seja qual seja a Liga ou país. A Europa é o topo. Eu estava no América de Cali e joguei vários jogos como profissional. Depois não estava a jogar muito e chegou uma proposta muito boa por meio de um português. Para além de ser um dos meus sonhos, também era para poder ter dinheiro para ajudar a minha família. Ele gostou de mim e trouxe-me para Marinhense em Portugal.

Três temporadas no Marinhense, depois foram: São João de Ver, Varzim, Anadia e Académica de Coimbra. Também houve uma experiência em Israel?

Antes de ir para Israel, eu tive muitas dúvidas porque era muito longe e a minha mulher tinha receio da guerra. O convite foi: acabei a Liga em Portugal com o Anadia e recebi logo a proposta de Israel. Eu fui para a Colômbia, falei com o meu pai, expliquei a situação, e falei que era a segunda divisão israelita. Ele disse para eu pensar bem, porque era um país com muita guerra. No início, ouvi a proposta, não aceitei e esperei. Houve uma proposta da Académica de Coimbra, mas eu estava em dúvida se ia ficar com a Académica ou ir para Israel.

Escolheu ir para Israel durante um tempo?

Exactamente, porque a Liga era superior e também pelo lado monetário.

Depois dessa má experiência em Israel, decidiu regressar a Portugal. Como foi esse regresso?

O meu empresário falou comigo e disse que o director da Académica tinha ainda interesse e o treinador do clube também. Como não estava a ser feliz em Israel, não estava a jogar, eu decidi vir logo. Desde o primeiro momento que eu pisei a academia, foi como sentir um espírito e que ia acontecer coisas boas. E foi sempre alegria, sempre alegria no balneário. Cheguei com outra mentalidade e fui muito feliz. Cheguei com muita felicidade.

Depois houve a subida de divisão no fim do campeonato. Como é que foi esse final?

Estava tudo muito perto, mas depois aconteciam coisas que pareciam que estavam a colocar em dúvida a subida. Mas no fim foi uma festa. Nunca na minha vida tinha imaginado a magnitude daquele clube e daqueles adeptos. Se não posso dizer que foi o melhor dia da minha vida, estava muito perto.

O que é que representa subir de divisão com uma equipa que em Portugal é histórica?

Para mim significa muita coisa, aliás até com a pergunta ainda fico arrepiado. Não tenho palavras para descrever, mas posso dizer que eu nunca imaginei viver este momento. Depois de passar por um momento muito complicado, eu não achava que ia acabar esta época com uma felicidade enorme, com a malta da Académica e uma cidade que sem dúvida alguma, se não é a melhor de Portugal, está ali muito perto.

Em relação ao futuro, como é que vê o futuro?

Um futuro muito ambicioso, muito bom. Já acabei o contrato com a Académica. Agora faltam dias para ficar jogador livre. Tenho esperança que possa chegar a renovar ou cheguem coisas boas para a minha vida com tudo o que fiz em Portugal.

Tem 26 anos, os sonhos são altos, jogar sempre em ligas competitivas, mas a selecção colombiana ainda é um sonho?

Já é um objectivo muito distante. É muito complicado neste momento. Os colombianos estão cada dia a crescer cada vez mais, então está mais longe esse sonho. Mas até me retirar do futebol ainda sonho com isso, sei que pode vir a chegar.

Jean Sinisterra sobre a Carreira 19-06-2026

Jean Sinisterra, médio colombiano. © Cortesia Jean Sinisterra

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