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Jorge Jesus: “Seja o jogador que for, se tiver de ser substituído, é”

Em 2014, disse que um treinador de seleção não treina, seleciona. Vai ser mais selecionador ou treinador? E também disse que todos os selecionadores saem desprestigiados das seleções. Pensa que vai ser exceção? “Não é bem assim. A primeira pergunta: o treinador não é treinador, é selecionador. Primeiro, como é óbvio, temos de escolher, fazer convocatórias e depois é que treinamos. Na Seleção, claro que é um tema que se fala muito, que o que eu gosto é do treino, do campo, e que agora não há tempo para isso. Só quero dizer que, na minha carreira, principalmente nestes últimos 10 anos, estive em equipas que jogavam de dois ou de três em três dias. E vai acontecer a mesma coisa agora. O treino… Há treino. Muitos julgam que vêm cansados para as seleções e vão dormir. Treinam. Há muitas formas de treinar, com novas tecnologias. Também há treino sem ser de campo e tudo isso vai ligar com os meus últimos anos de treinador. Não vou ter problema. O importante é montar, organizar uma equipa médica, porque hoje a grande evolução é a recuperação dos jogadores. A forma como se faz é um dos grandes segredos do futebol e quem está melhor habilitado tem uma grande vantagem. A segunda pergunta é como tudo. Uns ganham, outros perdem. Não há treinadores nem selecionadores que ganhem sempre. Eu não ganhei sempre. Faz parte do crescimento e aquilo que pode mais atrapalhar, pelo que é bom, é ter de convocar 23 ou 24 jogadores e escolher 11 de início com a qualidade que temos. Mas isso é que é bom: ter matéria-prima.”

Novo ciclo, mas pedia uma análise à prestação da Seleção no Mundial. O que teria feito de diferente? E, nos próximos quatro anos, há possibilidade de vermos jogar Rodrigo Mora ou Quenda? “Pela segunda pergunta, são dois jovens, como há mais no futebol português. Portugal tem uma formação com uma qualidade muito grande, de formar novos jogadores. Li que Portugal é o Brasil da Europa. No Brasil, pontapeias uma pedra e sai um jogador. Agora já não tanto, e Portugal tem essa facilidade. Faltam quatro anos para o Mundial e são os jogadores que vão dizer ao treinador como vamos agir, com a qualidade dos mesmos. Temos uma média de idades de 28 anos e isso, para mim, não tem problema. O que interessa é o valor. Se for um jovem com 17 ou 18 anos que comece e tenha qualidade para estar na equipa, entrará com muita certeza do crescimento. Acabei de falar que tínhamos 12 jogadores que já trabalharam comigo e, se me recordar de quatro ou cinco, fui eu que os lancei. Leão, com 17 anos no Sporting; Guedes, com 18 anos no Benfica; Cancelo; Bernardo… Contra quem? Foi contra o Cinfães na Taça, mas ele jogou. (Risos.) O importante é sentir que há qualidade e não ter medo de lançar. Não olho para a idade. É o mesmo do Cris. Não olho para isso. Tem influência, mas ele trabalhou um ano comigo e não teve uma lesão. Fazia comigo oito quilómetros por jogo, um ponta de lança, e é muito bom. Com velocidade acima dos 25 quilómetros por hora. O Cris tinha dados de poder contar com ele. Quando eu achava que jogava, jogava. Quando não achava, nem para o banco ia. Sobre a primeira pergunta, não me fica bem.”

Ronaldo a jogar 90 minutos todos os jogos? “O jogo é que dita. Não posso ter uma certeza absoluta. O importante é o rendimento dos atletas. Se não está a render, seja o jogador que for, se tiver de ser substituído, é. Se não, não é. Isso, para mim, pelo meu passado, o nome não conta. Já treinei os dois melhores do mundo. Falta-me o terceiro, que é o Messi, que já não vou treinar. Neymar, um dia, disse-lhe: “finish.” O que achar que é melhor para a equipa e para a Seleção, é assim que será feito.”

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