O Real Madrid não é o Qarabag

Com quatro equipas eliminadas e duas já apuradas diretamente para os oitavos de final, são 30 as formações que vão jogar a derradeira ronda da fase de liga da Champions com a máquina calculadora na mão.
Sporting e Benfica não fogem à regra, mas as contas são bem diferentes entre os representantes portugueses na maior competição europeia de clubes. Os leões, bicampeões nacionais, têm encarado a prova continental com uma garra superior, e é natural que assim seja, por mais forte que seja o desejo de voltar a saborear o tricampeonato a nível interno. O leão continua faminto, mas é normal que olhe menos para o prato que tem degustado, confrontado com a oportunidade de experimentar um cardápio de luxo.
A matemática do Benfica é bem mais exigente, quase digna de um Prémio Nobel, tal a complexidade da conjugação de resultados para chegar a um único resultado possível. Ganhar para ter a audácia de sonhar com a presença no play-off. É essa a única equação com que a equipa de José Mourinho pode entrar em campo, perante o rei da Liga dos Campeões, treinado pelo setubalense entre 2010 e 2013.
No duelo entre estes dois gigantes do futebol europeu (e mundial), só Mourinho conseguiria desviar tanto a atenção dos emblemas, entre palmarés, recordações da passagem por Madrid e a relação com Arbeloa, já descontando os rumores que apontaram, a dada altura, para um eventual regresso ao Santiago Bernabéu. Como nem o próprio quer viver do passado, Mourinho avisou que é preciso «matar ou morrer de pé». A matemática diz-nos que o mais provável é que o Benfica fique pelo caminho, mas jogar pelo milagre é também jogar por uma saída menos envergonhada da prova, se esse for o desfecho da noite. A história do Benfica pode dispensar vitórias morais e prémios de consolação, mas uma coisa é sair da Liga dos Campeões com seis pontos, outra é somar nove pontos e fechar com um triunfo frente à sua antiga equipa, um adversário da dimensão máxima.
O Real Madrid não é o Qarabag, mas por mais que Mourinho faça questão de recuperar a chocante derrota na ronda inaugural da prova — que ditou a saída do conterrâneo Bruno Lage —, sabe perfeitamente que a imagem final terá muito peso.
A noite é para «matar ou morrer de pé». E, já agora, para ver o que acontece ao Qarabag.




