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“As decisões não serão tomadas de cima para baixo, mas construídas coletivamente”: confira as reivindicações do SindSaúde-PR para 2026

A última assembleia de 2025 marcou os 37 anos do SindSaúde-PR, com prestação de contas, apresentação de pesquisa sobre condições de trabalho e definição das prioridades da categoria para 2026

Para relembrar o ano que passou e planejar o ano que começa, o SindSaúde Paraná se reuniu no dia 13 de dezembro de 2025, em Curitiba, para sua última assembleia do ano. Além disso, a reunião também marcou os 37 anos do sindicato. 

“A assembleia de dezembro teve um peso político muito grande para nós”, conta Giordano Pedro, coordenador geral do SindSaúde-PR. 

O primeiro ponto discutido foi a prestação de contas de dezembro de 2024 a outubro de 2025. “Ela foi apresentada pela tesouraria, analisada previamente pelo Conselho Fiscal em quatro reuniões e aprovada pela assembleia, tendo um voto contrário e duas abstenções, o que mostra transparência e democracia no processo”, detalha o coordenador.

Em 2025, uma pesquisa com as servidoras e servidores do Paraná sobre condições de trabalho na Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (SESA) foi elaborada e apresentada na reunião do sindicato. “Os dados são alarmantes: insuficiência de trabalhadores, estruturas físicas inadequadas, altos índices de assédio moral, adoecimento mental crescente e falta de autonomia profissional”, salienta o sindicalista.

Os dados confirmam a fala de Giordano: 63% dos participantes consideram insuficiente a quantidade de trabalhadores em seu local de trabalho, 58% relataram ocorrência de situações de violência, assédio moral e ou sexual e 241 participantes consideram seu nível de stress elevado por conta do seu local de trabalho; Confira a pesquisa completa.

“A participação dos servidores e servidoras na assembleia demonstra que existe uma base consciente, crítica e disposta a lutar. Ao mesmo tempo que evidencia os desafios do próximo período, que exige intensificar o trabalho de base, ampliar a presença do sindicato nos locais de trabalho, fortalecer as assembleias descentralizadas e investir de forma permanente na formação sindical, especialmente para envolver mais trabalhadoras e trabalhadores da ativa nas mobilizações de 2026”, analisa.

Reprodução/ SindSaúde-PR

Planos para 2026

A principal reivindicação para o primeiro semestre do ano é a data-base, período anual de negociação coletiva entre sindicatos e empregadores para reajustar salários e benefícios, “que acumula uma defasagem salarial superior a 45%”, destaca Giordano. 

O coordenador também adiciona a recomposição da Gratificação de Atividade de Saúde (GAS), que teve perdas ainda maiores de 55%, o fim do confisco previdenciário que penaliza aposentados e aposentadas e a correção das tabelas salariais de todos os cargos, principalmente, do nível fundamental.

Outra reivindicação é a realização de concurso público com número suficiente de vagas. Conforme informado pelo Portal Verdade, a estimativa do SindSaúde-PR é que faltam pelo menos 4 mil trabalhadores na rede pública paranaense.  “Hoje há uma defasagem enorme de trabalhadores na SESA, o que sobrecarrega equipes e compromete a qualidade do atendimento”, afirma Giordano.

No final do ano passado, a SESA lançou edital para realização de novo concurso público. As inscrições seguem abertas até o dia 12 de fevereiro. Ao todo são ofertadas 641 vagas, sendo 325 destinadas ao cargo de Promotor de Saúde Profissional, que aborda diversas áreas de nível superior, como enfermagem, medicina, psicologia, engenharia, serviço social, odontologia, e mais. As outras 316 vagas são para os cargos de técnico de enfermagem, técnico de laboratório e técnico de segurança do trabalho. Confira o edital completo.

A defesa das condições de trabalho, com foco na saúde do trabalhador, combate ao assédio moral e outras violências no local de trabalho e melhorias estruturais nas unidades, também são pautas para 2026, com articulação à defesa do SUS e do serviço público.

“Nossa estratégia é combinar negociação formal com pressão organizada. Isso inclui atos públicos, audiências, visitas aos locais de trabalho, construção de paralisações e, se necessário, de uma greve. As decisões não serão tomadas de cima para baixo, mas construídas coletivamente, como sempre foi a marca do SindSaúde-PR”, assinala Giordano.

37 anos de SindSaúde

Atualmente, o SindSaúde-PR representa mais de seis mil servidoras e servidores da saúde filiados, entre trabalhadores da ativa e aposentados, espalhados por todo o estado. Para Giordano, essa base confere ao sindicato uma representatividade sólida, construída ao longo de décadas, em uma trajetória de luta: “São 37 anos defendendo trabalhadores e trabalhadoras da saúde, ajudando a construir e sustentar o SUS no Paraná, enfrentando governos de diferentes matizes políticos, sempre com independência e compromisso com a classe trabalhadora. Essa história não pertence a uma direção específica, mas a gerações de servidores da ativa e aposentados que construíram coletivamente essa entidade”.

O crescimento do sindicato acompanha os ciclos políticos e econômicos do país, segundo o coordenador. “Houve momentos de expansão e momentos de retração, mas o SindSaúde-PR consolidou uma atuação estadual, com presença em dezenas de municípios e regionais organizadas”. 

O sindicato conta com uma estrutura ampla, ofertando diversos serviços e atividades, como a assessoria jurídica, comunicação, saúde do trabalhador, formação sindical e instâncias democráticas como assembleias, conselho fiscal e congressos, o que o consolida como uma das principais entidades representativas da saúde pública no Paraná.

O papel do sindicato ao longo de sua existência sempre foi de ser um instrumento coletivo de defesa e resistência, alcançando novos objetivos a partir da luta sindical. Além da defesa dos servidores e servidoras da saúde estadual e da saúde pública e do SUS. “Essa é a essência do sindicato há 37 anos e seguirá orientando nossa atuação nos próximos períodos”, confirma Giordano.

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