Palmeiras é campeão do jeito que Abel gosta, mesmo sem agradar a torcida e muito menos os rivais

O Palmeiras teria só mais uma chegada de perigo, em novo escanteio batido por Andreas Pereira, cabeçada firme de Marlon Freitas, defesaça de Jordi. E foi muito pouco, ainda menos pela qualidade do Palmeiras, que isolou demais Vitor Roque e Flaco López, não soube segurar a bola, não soube a trabalhar e esfriar o jogo. Ao menos soube segurar o Novorizontino, que com sua força física e com a sua força aérea, foi chegando. Mas não criou tantas chances para merecer algo além do empate no primeiro tempo.
O investimento de um milhão de reais na escalação de Rômulo estava valendo, com qualidade e presença, flutuando dentro do que se podia flutuar num gramado tão molhado, entre Marlon Freitas e Andreas Pereira. Aquela questão tática que o Palmeiras apresentou em toda a temporada. Dupla ótima para construir, nem tanto para proteger e destruir. E com um meia-atacante movediço como Rômulo, Vinícius Paiva criando problemas pela esquerda para cima das limitações de Khellven, com Matheus Bianqui se juntando ao artilheiro Robson no comando de ataque, o Novorizontino criava problemas para o sistema defensivo palmeirense.
Depois do intervalo, o Novorizontino voltou menos intenso. O Palmeiras trabalhou mais a bola. E, por ironia, o melhor time do Paulistão, e melhor paulista desde 2020, desempatou aos 16 do jeito que mais sabe jogar – e irritar: a bola longa; Carlos Miguel despachou pra frente, Flaco ganhou de casquinha, Jordi foi mal na dividida com Arias, e Vítor Roque foi o cara decisivo que é.
Como o time de Abel consegue irritar quem não torce por tanto que vence. E apoquenta quem é palmeirense por tanto que nem sempre joga.




